quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Lá se vão quinhentos anos

De identidade famosa, Brasil, o país do futebol, atravessa metade do milênio. Há quinhentos anos, quem pisava em nossas terras eram os colonos portugueses, membros de uma elite que desde já explorava a população para garantir certos privilégios.

Foi somente com a independência de 1822 que nasceram os verdadeiros brasileiros e quando o país começou a desenvolver sua personalidade. Apesar de nova, essa personalidade era bem familiar: a elite portuguesa fora substituída por outra elite, a brasileira, e persiste até os dias de hoje.

Os membros desse grupo seleto, como os grandes fazendeiros da cana de açúcar e da soja, grandes empresários, ministros, senadores, trabalharam arduamente para manter o status quo e manter o nosso país, de privilegiados e desfavorecidos. A imensa parcela de desfavorecidos é submetida a condições de de vida muito inferiores às da classe alta para que o controle da população seja garantido.


Esses cidadãos são sempre explorados de alguma forma, seja no próprio trabalho ou por estarem impossibilitados de acessar a educação e assistência social. São eles os moradores das favelas, as crianças sem escola, os doentes que enfrentam filas em hospitais, são os mais comuns, os esquecidos, os Severinos de João Cabral de Melo Neto.

É esse o Brasil que fez aniversário e comemorou as desigualdades. "Somos uma nação pobre em sua generalidade, onde a distribuição de dinheiro é viciosa" (Sílvio Romero - História da literatira brasileira). Continuaremos assim até quando?

Infelizmente, o Brasil é constantemente leiloado e junto se leva o povo explorado. O povo... não tem voz como Fabiano de Vidas secas. Aqui, a voz do povo nunca foi a voz de Deus. Lá se vão quinhentos anos...

sábado, 17 de dezembro de 2011

Comunicação: o espelho da alma

Os seres humanos não foram feitos para viverem sozinhos, por isso fazemos parte de uma sociedade. Somos comunicativos e interativos, consequentemente, dependemos uns dos outros.

As relações intra e interespecíficas da biologia também aplicam-se à nossa espécie. Infelizmente, as relações ditas “mais/menos”, em que um toma proveito do outro, como canibalismo e parasitismo, são bem comuns. É quase que instintivo farejar a fragilidade da presa e, no momento mais oportuno, abocanhá-la.

Os ambiciosos, ditadores, golpistas são personagens típicas dessas relações. Para eles é fácil, talvez prazeroso, apontar os defeitos do próximo. Assim, sentem-se superiores já que não consideram-se os causadores dos males do mundo, além de não assumirem seus erros. É o jogo do “eu ganho, nós empatamos, você perde” – você, não eles.

As relações podem ser positivas para ambos os indivíduos quando tratam-se de igual para igual. Um casal é um exemplo de mutualismo: nem sempre quem fala tem razão, mas devem ouvir o que o parceiro tem a dizer, devem ser tolerantes, respeitosos e, acima de tudo, aceitar suas diferenças.

Pablo Picasso
A mulher ao espelho
Nesse tipo de jogo ninguém perde, pois as divergências existem para testar os limites e a flexibilidade de cada um. Essa é a arte da convivência, aprende-se com o outro.

Veja que espelhos comuns refletem a nossa imagem, mas não mostram quem realmente somos. Os verdadeiros espelhos estão nas pessoas com as quais convivemos. É nelas que descobrimos e aprendemos o que não nos apetece e, ao mesmo tempo, o que nos satifaz e nos deixa felizes. É convivendo que construímos a nossa identidade, que, apesar de única e exclusiva, depende das comunicações em sociedade.